quinta-feira, 22 de julho de 2010

REPENSANDO A HISTÓRIA.

Narradores de Javé, um filme brasileiro de 2003, do gênero drama, dirigido por Eliane Caffé.

Nesse filme há muitos pontos e contra-pontos interessantes pra se estudar, analisar e questionar dentro da História.
A Autora nos faz refletir a respeito da veracidade dos fatos históricos, tanto a falada quanto a escrita. Até que ponto os historiadores tem sido fiéis aos fatos? Se na maioria dos casos eles não estavam lá pra ver. Muitos deles narram a história num tempo completamente diferente ao seu, e é muito óbvio como existem textos tendênciosos que englobam muitos paradigmas.

O filme narra à preocupação de um povo sertanejo que vive em extrema pobreza, e que além de tudo passam a correr o risco de verem sua história e sua cidade inundadas pelas águas de uma usina hidrelétrica. Juntos tentam arranjar um jeito de impedir a destruição, e pensam em escrever um livro contando a história de Javé para que esta fosse tombada como patrimônio histórico, e conseguir com isso reconhecimento para continuar vivendo em seu povoado. Só que essas pessoas só podiam contar com um escritor na cidade, Antônio Biá que era o único que possuía o conhecimento da escrita e da leitura, uma pessoa com o caráter extremamente duvidoso, mas era a única opção que se tinha.
A história seria relatada por cada cidadão que dispusesse a contar sua versão, o que acabou se tornando um grande tumulto, pois todos queriam ter algum tipo de participação no enredo da história, principalmente no que se trata do protagonismo, eles queriam colocar seus ancestrais nos papéis principais, cada um inventava uma história mais mirabolizante. Achando pouco, o suposto “historiador” dava sempre seus “pitacos” e pra deixar as histórias mais apimentadas, ele sempre contava uma versão mais “floreada”. Interferindo assim nos depoimentos que já não eram de muita confiança.
Como “historiador” oficial da cidade ele possuía o poder de dar o rumo que quisesse ao enredo.

A riqueza que o filme nos traz principalmente na analise da historiografia é muito grande, mas ele nos faz ainda atentar para questões sociais e que nos dias de hoje ainda é muito presente. Pois a ganância de alguns grupos de elite continuam passando por cima e esmagando a grande maioria, sem se importar com o que realmente há de valor. Por conta de interesses próprios continuam destruindo valores, crenças, histórias de vida, que nem se quer chegam a serem escritas.

O filme nos faz chegar a conclusão de que realmente a história não é algo pronto e acabado, que deve ser simplesmente repassado. Mas ela é algo vivo que deve sempre ser explorado e instigado. Fontes existem diversas, verídicas ou não, a verdade é que ao certo nem sempre sabemos. Mas o bom historiador  é aquele que se aprofunda nas pesquisas, e procura sempre buscar chegar o mais perto da veracidade do fatos.

3 comentários:

Ana Cláudia disse...

Ai !!!!! que saudade desse filme !!
ele caracteriza muito o lugar do interior onde alguns valores são perpassados por intersse de muitos que querem se dar bem na vida. Principalmente qdo se diz respeito a um grave problema de analfabetismo que ainda é muito forte no nosso país. Mas o filme é tão engraçado que as vezes passamos até desapercebido a esse aspecto, visando olhar mais a historiografia local.
Esse blogger nos proporciona esses prazeres.....

jackiria lula disse...

É uma obra muito interessante este filme. Ele revela a veracidade que tem as fontes orais, mas que muitas vezes não adquirem seu verdadeiro valor.Trabalhar com a história oral embora seja repleta de sentimentos, emoções e subjetividades é algo muito prazeroso e nos aproxima da realidade vivida por sociedades passadas. A beleza do filme está justamente no modo como são tratadas as histórias contadas pelos moradores de Javé que buscam sua identidade e seu lugar na história.

Vitor Amorim do Amaral disse...

Filme comovente. O historiador e seus fatos.